Blumenau está mais cinza. Não em razão da poluição ou do tempo ruim. A cidade passa por uma transformação responsável pelo cenário. Corretores de imóveis afirmam que 2009 é o ano do boom da habitação na cidade. A maioria dos imóveis valorizou após a tragédia de novembro. Em média, 25%. É raro encontrar apartamentos de até R$ 80 mil disponíveis para venda devido à valorização e à demanda. Na visão de construtores, este novo patamar de preços ditará a tônica da construção civil pelos próximos anos. Entretanto, economistas apontam que a euforia é passageira e ainda é reflexo da liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) entre os meses de dezembro de 2008 e março de 2009.
José Airton Bendini é assessor imobiliário de uma construtora de Blumenau. A empresa tem 15 prédios em obras, com uma média de 45 apartamentos por construção. Todas as unidades estão vendidas. Entre 2006 e 2007, um prédio de apartamentos era negociado durante um ano, no mínimo. Do ano passado para cá, as unidades desaparecem entre 90 e 120 dias.
- Muitos fatores vieram a calhar. O governo federal nunca deu tanto incentivo à construção e, claro, a liberação do FGTS impulsionou o mercado - avalia Bendini.
O volume de dinheiro contratado em financiamentos para aquisição de imóveis na Caixa Econômica Federal dobrou, passando de R$ 13 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 27 milhões este ano. Os empréstimos para reformas, que ajudam a valorizar os imóveis, subiram de R$ 5 milhões para R$ 17 milhões no período. Na avaliação do superintendente em exercício da Caixa para o Vale do Itajaí, Vilmar Back, há uma preocupação em atender a demanda para imóveis de até R$ 80 mil, cuja oferta é escassa.
- Ainda temos seis meses pela frente, mas 2009 poderá ser considerado um ano histórico para a habitação - diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon), Jorge Strehl.
O bom momento do mercado imobiliário é comemorado pelo corretor Ismael Ruthes. Segundo ele, há clientes para todos os níveis:
- Está uma maravilha. Vendo com frequência apartamentos de R$ 300 mil. Não sei até que ponto vai toda essa loucura.
Fonte: Jornal de Santa Catarina